A exposição não-autorizada de imagens intimas de mulheres: formatos múltiplos, violência múltipla

Conteúdo do artigo principal

Laís Barbosa Patrocino
Paula Dias Bevilacqua

Resumo

Este trabalho analisou a experiência de mulheres que tiveram imagens íntimas expostas de forma não autorizada por meio de entrevistas em profundidade com 17 mulheres e dez profissionais de saúde e assistência de diferentes instituições pertencentes à rede de atenção à mulher em situação de violência que atenderam as vítimas desse tipo de violência no Brasil. Observou-se que a exposição não autorizada da intimidade é iniciada por diferentes pessoas em relação às mulheres e motivada por diferentes fatores. Comumente, a exposição ocorre em meio a outros tipos de violência contra a mulher, a ela associados ou não. Os principais danos causados às mulheres não se referem à exposição em si, mas à repercussão desse evento em suas relações pessoais e profissionais e à revitimização que ocorreu principalmente em instituições como a polícia.

Detalhes do artigo

Como Citar
Barbosa Patrocino, L., & Dias Bevilacqua, P. (2022). A exposição não-autorizada de imagens intimas de mulheres: formatos múltiplos, violência múltipla. Debate Feminista, 65, 149–177. https://doi.org/10.22201/cieg.2594066xe.2023.65.2301
Seção
Artículos
PLUMX Metrics

Referências

Araújo, Camila Souza, Wagner Meira Jr. & Virgilio Almeida. 2016. “Identifying Stereotypes in the Online Perception of Physical Attractiveness”, arXiv, no. 1, pp. 419-437 Available at <https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-47880-7_26>.

Brasil. 2018. Lei Federal no 13.718, Dispõe sobre os crimes de importunação sexual.

Connell, Robert W. & James W. Messerschmidt. 2013. “Masculinidade hegemônica: repensando o conceito”, Revista Estudos Feministas, vol. 21, pp. 241-282. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2013000100014

Dias, Isabel. 2008. “Violência contra as mulheres no trabalho - o caso do assédio sexual”, Sociologia, problemas e práticas, no. 57, pp. 11-23.

Dumont-Pena, Érica & Izabel Silva de Oliveira. 2018. “Construções contemporâneas do cuidado”, in Aprender a cuidar—Diálogos entre saúde e educação infantil, São Paulo, Cortez Editora, pp. 23-50.

Gregori, Maria Filomena. 1993. “As desventuras do vitimismo”, Estudos Feministas, no. 1, pp. 143-149. https://doi.org/10.1590/%25x.

Hirata, Helena. 2014. “Gênero, classe e raça—Interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais”, Tempo Social, vol. 26, no. 1. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20702014000100005

Holm Johansen, Katrine Bindesbøl, Bodil Maria Pedersen & Tine Tjørnhøj-Thomsen. 2019. “Visual Gossiping: Non-Consensual ‘Nude’ Sharing Among Young People in Denmark”, Culture, Health & Sexuality, vol. 21, no. 9, pp. 1029-1044. https://doi.org/10.1080/13691058.2018.1534140

Jarschel, Haidi. 2015. “Vergonha da Violência”, in Elizabeth Fleury-Teixeira & Stella N. Meneghel (orgs.), Dicionário Feminino da Infâmia, Rio de Janeiro, FIOCRUZ, pp. 366-402.

Kiss, Ligia Bittencourt, Lilia Blima Schraiber & Ana Flávia Pires Lucas d’Oliveira. 2007. “Possibilidades de uma rede intersetorial de atendimento a mulheres em situação de violência”, Interface - Comunicação, Saúde, Educação, vol. 11, no. 23, pp. 485-501. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832007000300007

Lins, Beatriz Accioly. 2019. “Caiu na rede: Mulheres, tecnologias e direitos entre nudes e (possíveis) vazamentos”, Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo. https://doi.org/10.11606/T.8.2020.tde-21022020-145523

MacKinnon, Catharine Alice. 1987. “Sexuality”, in Toward a Feminist Theory of the State, Cambridge, Harvard University Press.

Matzembacher, Alania Marcela Carvalho & Isabela Maria Stoco. 2020. “Sujeitas à violação virtual: um quadro além do mero isolamento social”, in Carla Estela Rodrigues, Ezilda Melo & Maria Júlia Polentine (orgs.), Pandemia e Mulheres, vol. 1, Washington, Studio Sala de Aula, pp. 43-52.

Meneghel, Stela Nazareth, Fernanda Bairros, Betânia Mueller, Débora Monteiro, Lidiane Pellenz de Oliveira & Marceli Emer Collaziol. 2011. “Rotas críticas de mulheres em situação de violência: Depoimentos de mulheres e operadores em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil”, Cadernos de Saúde Pública, vol. 27, no. 4, pp. 743-752. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011000400013.

Mohan, Megha. 2020, February 10. “‘Eles me estupraram e postaram o vídeo do crime em um site pornô’”. Época. Available at <https://epoca.globo.com/sociedade/eles-me-estupraram-postaram-video-do-crime-em-um-site-porno-24239899>.

Nabil, Md. 2014. “From Sex Tapes to Revenge Porn: Construction of a Genre / Gender Sexuality and Power in New Media”, Master’s Degree Thesis, Stockholm University.

Noble, Safiya Umoja. 2012. “Missed Conections: what Search Engines say about Women”, Bitch, vol. 37, no. 54, pp. 36-41.

Patrocino, Laís Barbosa & Paula Dias Bevilacqua. 2021a. “Sobre risco, violência e gênero: revisão da produção da saúde sobre o sexting entre jovens”, Ciência & Saúde Coletiva, no. 26, pp. 2709-2718. https://doi.org/10.1590/1413-81232021267.07482021.

Patrocino, Laís Barbosa & Paula Dias Bevilacqua. 2021b. “Divulgação não autorizada de imagem íntima: danos à saúde das mulheres e produção de cuidados”, Interface - Comunicação, Saúde, Educação, vol. 25, e210031. https://doi.org/10.1590/interface.210031.

Pérez Hernández, Yolinliztli. 2016. “Consentimiento sexual: Un análisis con perspectiva de género”, Revista Mexicana de Sociología, vol. 78, no. 4, pp. 741-767. Available at <http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0188-25032016000400741>.

Pérez Hernández, Yolinliztli. 2017. “California define qué es ‘consentimiento sexual’”, Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latinoamericana, vol. 25, pp. 113-133.

Petrosillo, Isabela Rangel. 2016. Esse nu tem endereço / O caráter humilhante da nudez e da sexualidade feminina em duas escolas públicas, Niterói, Universidade Federal Fluminense.

Ramos, Raphaela. 2020. “Violência contra a mulher na internet cresce na quarentena”, O Globo. Available at <https://oglobo.globo.com/celina/violencia-contra-mulher-na-internet-cresce-na-quarentena-saiba-como-identificar-se-defender-1-24438989>.

Rodríguez, Liziane da Silva. 2018. “Pornografia de vingança: Vulnerabilidades femininas e poder punitivo”, Master’s Degree Thesis, Porto Alegre, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Available at <http://tede2.pucrs.br:80/tede2/handle/tede/8055>.

Salles, Ana Cristina Teixeira da Costa & Paulo Roberto Ceccarelli. 2010. “A invenção da sexualidade”, Reverso, vol. 32, no. 60, pp. 15-24. Available at <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952010000300002&lng=pt&tlng=pt>.

Santos, Cecília MacDowell & Wânia Pasinato Izumino. 2005. “Violência contra as mulheres e violência de gênero: notas sobre estudos feministas no Brasil”, Estudios Interdisciplinares de América Latina y El Caribe, vol. 16, no. 1, pp. 147-164. Available at <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/1408/viol%C3%AAncia_contra_as_mulheres.pdf?sequence=1>.

Sydow, Spencer Toth & Ana Lara Camargo de Castro. 2017. Exposição pornográfica não consentida na interet: Da vingança ao lucro, vol. 1, Belo Horizonte, Editora D’Plácido.

Taille, Yves de la. 2002. “O sentimento de vergonha e suas relações com a moralidade”, Psicologia: Reflexão e Crítica, vol. 15, no. 1, pp. 13-25. https://doi.org/10.1590/S0102-79722002000100003.

Tronto, Joan Claire. 1987. “Beyond Gender Difference to a Theory of Care”, Signs, vol. 12, no. 4, pp. 644-633. Available at <https://www.jstor.org/stable/3174207>.

Valente, Mariana Giorgetti, Natália Neris & Lucas Bulgarelli. 2015. “Nem revenge, nem porn / Analisando a exposição online de mulheres adolescentes no Brasil”, in Global Information Society Watch 2015: Sexual rights and the internet. APC/HIVOS. Available at <https://www.giswatch.org/sites/default/files/gw2015-full-report.pdf>.

Villela, Wilza Vieira, Lucila A. Carneiro Vianna, Lia Fernanda Pereira Lima, Danila C. Paquier Sala, Thais Fernanda Vieira, Mariana Lima Vieira & Eleonora Menicucci de Oliveira. 2011. “Ambiguidades e contradições no atendimento de mulheres que sofrem violência”, Saúde e Sociedade, vol. 20, no. 1, pp. 113-123. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-12902011000100014.